Ministério do Esporte se une ao MPF para investigar caso de racismo contra o jogador Luighi Hanri Souza Santos durante partida da Copa Libertadores contra o Cerro Porteño, em 6 de março
William Oliveira Publicado em 21/03/2025, às 10h57
O Ministério do Esporte se pronunciou na última quinta-feira (20) sobre o inquérito civil aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) para investigar a atuação do Estado e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no caso de racismo contra o jogador Luighi Hanri Souza Santos, do Palmeiras, durante uma partida contra o Cerro Porteño no dia 6 de março. O Ministério afirmou que o combate ao racismo é uma prioridade e que está alinhado com o MPF na luta contra a discriminação no esporte.
O ministério também destacou o lançamento da campanha "Cadeiras Vazias", que visa conscientizar sobre a violência, incluindo o racismo, no futebol. A campanha foi bem recebida por clubes, federações, mídia e torcidas organizadas. Além disso, foi proposta uma alteração na Lei Geral do Esporte, obrigando clubes a adotar medidas contra o racismo, com o risco de perderem financiamento público caso não cumpram as exigências.
A proposta já foi encaminhada à Casa Civil e à Presidência da República para análise. O MPF também solicitou informações sobre as ações contra o racismo ao Ministério do Esporte e à CBF, que terão dez dias para responder.
O caso
No dia 6 de março, durante uma partida da Copa Libertadores da América Sub-20, o jogo foi marcado por um incidente lamentável de racismo direcionado a dois jogadores brasileiros. Aos 36 minutos do segundo tempo, Figueiredo, ao ser substituído, foi alvo de imitações de macaco por parte de um torcedor do Cerro Porteño. Luighi, outro jogador que também deixou o campo, sofreu ofensas semelhantes.
Visivelmente abalado com a situação, Luighi foi visto chorando no banco de reservas e, após o apito final, concedeu uma entrevista expressando sua indignação.
"É sério isso? Não vão perguntar sobre o ato de racismo que fizeram comigo? Até quando vamos passar por isso? O que fizeram comigo foi um crime. Você não vai me perguntar sobre isso? Vai perguntar sobre o jogo mesmo? A Conmebol vai fazer o que sobre isso? A CBF? Sei lá… Você não ia perguntar sobre isso. O que fizeram comigo é um crime, somos formação, estamos aprendendo com isso", questionou Luighi, entre lágrimas
Confira o momento:
Racista tem que morrer queimado em praça pública.
— Tuca Andrada (@TucaAndrada3) March 7, 2025
Desgraçados
O rapaz se chama Luighi, tem 18 anos e é jogador do Palmeiras.
Mais uma vítima do racismo repugnante que existe nos estádios de futebol pic.twitter.com/u4BozD6awq