Justiça determina quebra de sigilo de Julio Casares em investigação sobre camarotes do Morumbis

Ex-presidente do São Paulo e outros quatro investigados são alvo de medida que amplia apuração sobre venda irregular de ingressos

Ex-dirigente do São Paulo está entre os alvos de apuração conduzida pelo MP - Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Lívia Gennari Publicado em 03/06/2026, às 13h09

A Justiça de São Paulo autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de cinco pessoas investigadas por suposto envolvimento em um esquema de exploração irregular de um camarote no Morumbis, estádio do São Paulo Futebol Clube. A medida foi determinada no âmbito da investigação conduzida por uma força-tarefa formada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.

Entre os alvos da decisão estão o ex-presidente do clube, Julio Casares, a ex-diretora feminina, cultural e de eventos Mara Casares, o ex-diretor das categorias de base Douglas Schwartzmann, o ex-superintendente geral Marcio Carlomagno e a intermediária Rita de Cassia Adriana Prado. Com a autorização judicial, os investigadores poderão acessar registros financeiros e fiscais dos envolvidos para analisar a origem e o destino de recursos movimentados nos últimos anos.

O pedido foi apresentado pelos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, em conjunto com o delegado Tiago Correia, responsáveis pelas apurações. Segundo fontes ligadas à investigação, a decisão foi fundamentada em documentos apreendidos durante buscas realizadas na residência de Rita de Cassia Adriana Prado, além de depoimentos de testemunhas e informações fornecidas pelo próprio São Paulo sobre a distribuição de ingressos para eventos realizados no estádio.

A quebra de sigilos representa um novo avanço nas investigações iniciadas no final de 2025 e marca a primeira medida cautelar da esfera criminal direcionada diretamente a Julio Casares neste inquérito. Paralelamente, o ex-dirigente também é alvo de outra apuração que investiga possíveis práticas de lavagem de dinheiro relacionadas ao clube.

Relembre

O caso está ligado à utilização de um camarote associado à presidência do São Paulo durante o show da cantora colombiana Shakira, realizado em fevereiro do ano passado. De acordo com o Ministério Público, há suspeitas de que o espaço tenha sido explorado comercialmente sem autorização, com a venda de ingressos para terceiros.

As investigações ganharam força após a divulgação de um áudio atribuído a integrantes da antiga gestão do clube. No material, obtido pela imprensa, o então diretor das categorias de base, Douglas Schwartzmann, menciona benefícios financeiros obtidos por pessoas ligadas à operação.

Segundo a linha investigativa, o camarote teria sido disponibilizado pela diretoria do São Paulo para Mara Casares organizar um evento durante a apresentação da artista. Posteriormente, uma intermediária teria sido responsável pela comercialização dos acessos ao espaço, com ingressos anunciados por valores que chegavam a R$ 2,1 mil.

O Ministério Público apura se a prática configura crimes como corrupção privada no esporte e coação no curso do processo. Até o momento, os investigados são tratados como suspeitos e terão a oportunidade de apresentar suas versões dos fatos ao longo da investigação.

justiça corrupção Investigação polícia civil São Paulo Futebol Clube julio casares Douglas schwartzmann Mara casares

Leia também