Entidade vai reavaliar o tema entre fevereiro e março, após pressão de boa parte da Série A
Jorge Simonsen Publicado em 12/12/2025, às 14h46
Os clubes da Série A reacenderam a discussão sobre o uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro. Durante o Conselho Técnico realizado na quinta-feira, no Rio de Janeiro, dirigentes pediram que a CBF não homologue novos campos artificiais até que um estudo seja concluído e que a decisão seja tomada de forma conjunta em 2026. A confederação indicou que o tema será retomado entre fevereiro e março, quando haverá nova reunião.
A maior parte dos dirigentes se posicionou contra o uso do piso sintético. O movimento tenta abrir caminho para um eventual veto, que incluiria um período de transição para que os clubes adaptassem seus estádios ao gramado natural. Embora a CBF não sinalize que tomará essa direção agora, reconhece que a pressão cresceu. Os clubes também pediram que a opinião dos jogadores seja considerada. Em fevereiro, nomes como Neymar, Thiago Silva, Gabigol e Philippe Coutinho se manifestaram publicamente contra o piso artificial.
Cinco clubes defenderam o uso do sintético durante o encontro. Eles alegam que os gramados artificiais de alta performance oferecem melhor qualidade que parte dos campos naturais utilizados no país. A CBF, no entanto, prefere levantar novos dados antes de qualquer decisão. A entidade já havia encomendado um estudo sobre lesões no início da temporada, que apontou pouca diferença entre os dois tipos de piso. Desta vez, a análise também deve abordar ritmo de jogo e eventuais vantagens competitivas.
A confederação entende que temas complexos precisam de critérios mais rígidos de decisão. O exemplo mais recente é a regra para número de estrangeiros. O limite passou de cinco para sete e depois para nove em duas temporadas. Agora, há um consenso de que será necessário reduzir. A ideia é criar mecanismos de governança que evitem mudanças frequentes, como quóruns qualificados e prazos mínimos de revisão.
Além do gramado sintético e da regra para estrangeiros, a possibilidade de diminuir o número de rebaixados para a Série B também deve entrar na discussão do primeiro trimestre de 2026. A pauta exige a participação dos clubes da segunda divisão, que seriam afetados diretamente. Não há garantia de resolução imediata, mas a CBF pretende avançar nos debates.
O assunto promete gerar atrito. O Flamengo lidera o movimento contra o uso do piso artificial, impulsionado também pela rivalidade recente com o Palmeiras, que adotou o sintético no Allianz Parque em 2020. O clube carioca protocolou nesta semana uma proposta para que a CBF proíba o uso de gramados artificiais, com transição até 2027 na Série A e um ano a mais na Série B. A ação provocou reação dos clubes que utilizam o piso: Athletico-PR, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras.
O Brasileirão de 2026 pode ter até 30% de seus jogos disputados em estádios com gramado sintético. A CBF diz que, além de tratar do tema sem novos adiamentos, pretende atacar um problema mais amplo: a baixa qualidade de muitos gramados naturais no país.