Expulsão do Conselho Deliberativo e do quadro de sócios marca desdobramento de esquema envolvendo camarotes no Morumbi e amplia pressão institucional.
Ana Beatriz Publicado em 09/04/2026, às 19h06
O São Paulo Futebol Clube vive mais um capítulo de turbulência interna após o Conselho Deliberativo aprovar a expulsão de dois nomes ligados à antiga gestão. Douglas Schwartzmann e Mara Casares foram excluídos do quadro de sócios e das estruturas do clube após serem apontados como envolvidos em um esquema clandestino de exploração de camarotes no Morumbi.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (9), após votação com ampla maioria entre os conselheiros. Além da expulsão, também foram aprovadas punições adicionais, como suspensão, inelegibilidade por até dez anos e obrigação de reparação por danos causados ao clube.
Áudios vazados foram ponto de virada
O caso ganhou força após o vazamento de áudios que indicariam a participação dos envolvidos em um esquema de venda irregular de ingressos e uso indevido de camarotes — especialmente em eventos de grande porte no estádio do Morumbi.
As gravações foram consideradas peça-chave no processo interno, que teve origem em um relatório da Comissão de Ética do clube. A investigação apontou indícios de gestão irregular e temerária, levando à recomendação de expulsão dos envolvidos.
Após a repercussão do caso, ambos já haviam deixado seus cargos de diretoria, mas continuavam como conselheiros e associados — condição agora encerrada pela decisão formal.
Votação expressiva e punições severas
A sessão do Conselho foi marcada por tensão e mobilização interna. Para a aprovação das punições, era necessário o apoio de dois terços dos conselheiros — marca que foi superada com folga.
Nos diferentes itens analisados, como expulsão, suspensão e inelegibilidade, os votos favoráveis ultrapassaram a casa dos 220, evidenciando um consenso interno sobre a gravidade do caso.
Além disso, o Conselho determinou que os envolvidos deverão reparar financeiramente os danos causados ao clube, o que pode incluir valores relacionados aos ingressos supostamente utilizados no esquema.
Caso vai além do clube e chega às autoridades
O escândalo não se limita ao ambiente interno do São Paulo. O caso também passou a ser investigado por autoridades externas, incluindo Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, que apuram possíveis irregularidades e responsabilidades criminais.
Há indícios de que milhares de ingressos de cortesia teriam sido utilizados de forma indevida em eventos realizados no estádio entre 2023 e 2025, o que amplia o alcance da investigação.
Efeito dominó na política do clube
O episódio é mais um desdobramento da crise institucional que atinge o São Paulo nos últimos meses, envolvendo disputas internas, investigações e desgaste de imagem.
O caso dos camarotes se tornou um dos principais gatilhos de instabilidade política dentro do clube, impactando diretamente sua governança e abrindo espaço para novas apurações e possíveis punições a outros envolvidos.
Em nota, Mara Casares repudiu a decisão do Conselho Deliberativo. Confira a nota na íntegra:
"A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus Advogados Rafael Estephan Maluf e Paula Stoco de Oliveira, manifesta publicamente seu profundo repúdio à decisão proferida nesta data pelo Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, que determinou o encerramento do vínculo associativo com a instituição.
Frisa-que que a Sra. Mara Casares respeita as instâncias do clube ao qual dedicou anos de trabalho com extrema dedicação e zelo. No entanto, discorda frontalmente da referida decisão emanada de um procedimento interno que se baseou unicamente em matérias jornalísticas.
Ao longo de todo o procedimento, Mara colaborou irrestritamente com a apuração dos fatos, prestando todos os esclarecimentos solicitados e colocando-se à disposição da Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube. Não há, até o momento, qualquer evidência concreta de que tenha auferido benefício financeiro ou pessoal em relação aos fatos investigados.
Uma condenação desta gravidade sem lastro mínimo probatório é, no mínimo, um grave equívoco institucional, seja para a Sra. Mara, seja para outros associados do SPFC, pois criou-se um precedente gravíssimo de utilização de apurações internas do clube como instrumento de manobra política.
É lamentável que uma decisão desta magnitude, com consequências tão severas para a honra e a trajetória de uma pessoa, tenha sido adotada sem a observância do rigor probatório que o caso exige.
Por fim, a Sra. Mara Casares permanece certa de sua inocência, amparada pela convicção de sua integridade e pela confiança de que a Justiça cumprirá seu papel."