Atleta rondoniense de 23 anos liderou a final do sprint sentado no esqui cross-country e garantiu a primeira medalha da história do país na competição.
Redação Publicado em 10/03/2026, às 12h55
O esporte brasileiro escreveu um novo capítulo histórico nesta terça-feira (10). O atleta Cristian Ribera conquistou a primeira medalha do Brasil em Jogos Paralímpicos de Inverno ao ficar com a prata no sprint sentado do esqui cross-country nas Jogos Paralímpicos de Inverno de 2026, disputados em Tesero, na Itália.
Com apenas 23 anos, o brasileiro chegou a liderar a prova durante boa parte da final e protagonizou uma disputa intensa até os metros finais. O ouro ficou com o chinês Liu Zixu, que ultrapassou Ribera na última reta e terminou com o tempo de 2min28s9. O brasileiro completou a prova em 2min29s6, garantindo a histórica medalha de prata. O bronze foi conquistado pelo cazaque Yerbol Khamitov.
A conquista marca um feito inédito para o Brasil, que até então nunca havia subido ao pódio em uma edição de Jogos Paralímpicos de Inverno.
“Queria muito o ouro, mas estou extremamente feliz. É um sonho realizado representar o Brasil dessa forma”, disse Ribera após a prova.
Caminho até a medalha
Cristian já havia demonstrado grande desempenho desde as classificatórias. Ele registrou o melhor tempo da fase inicial e avançou em primeiro lugar para as semifinais.
Na bateria seguinte, voltou a se destacar ao garantir a vaga na final com o tempo de 2min28s7. Na decisão, largou forte, assumiu a liderança e manteve o ritmo competitivo durante quase toda a prova.
Somente na última reta o chinês Liu Zixu conseguiu acelerar e ultrapassar o brasileiro, garantindo o ouro por uma diferença mínima.
Melhor resultado feminino
O dia também foi marcante para o Brasil no feminino. A atleta Aline Rocha, de 35 anos, terminou a final do sprint sentado na quinta colocação, alcançando o melhor resultado feminino do país em Jogos Paralímpicos de Inverno.
A brasileira chegou a disputar o bronze durante parte da prova, mas acabou ultrapassada na reta final e concluiu o percurso em 3min21s.
Mesmo fora do pódio, o resultado representa um avanço histórico para o esporte paralímpico brasileiro na neve.
Promessa que virou realidade
Nascido em Rondônia e criado em São Paulo, Cristian Ribera nasceu com artrogripose, uma condição congênita que afeta as articulações. Ao longo da vida, passou por mais de 20 cirurgias e encontrou no esporte um caminho de superação.
Ele começou a praticar diversas modalidades ainda criança, mas descobriu o esqui cross-country aos 13 anos em um projeto de iniciação esportiva da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.
Antes da medalha paralímpica, Ribera já era considerado uma das maiores promessas do país na modalidade. Ele foi campeão geral da Copa do Mundo de esqui cross-country adaptado e chegou aos Jogos de 2026 como favorito a conquistar o primeiro pódio brasileiro.
Agora, com a medalha de prata histórica, o atleta consolida seu nome entre os principais nomes do esporte paralímpico mundial.
Ribera ainda voltará à pista nas próximas provas da competição, incluindo os 10 km sentado e o revezamento misto do esqui cross-country.