Após quase 20 anos de disputa fiscal, o Corinthians fechou um acordo com a PGFN que reduz sua dívida tributária em 46,6%, derrubando o valor de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões
William Oliveira Publicado em 05/02/2026, às 12h51 - Atualizado às 13h25
O Sport Club Corinthians Paulista fechou um acordo considerado histórico com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para encerrar um passivo tributário acumulado ao longo de quase 20 anos. A dívida, que originalmente chegava a R$ 1,2 bilhão, foi renegociada e reduzida para R$ 679 milhões, por meio de uma transação tributária firmada com o governo federal. A informação foi divulgada pelo SBT News.
A negociação, que vinha sendo conduzida desde 2024, garantiu ao clube desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos legais. Em contrapartida, o Corinthians abriu mão de todas as ações judiciais que discutiam os débitos com a União, encerrando definitivamente o litígio.
O acordo prevê diferentes modalidades de pagamento, conforme a natureza da dívida. Os débitos não previdenciários, que representavam a maior parte do valor original, serão parcelados em até 120 meses, enquanto os débitos previdenciários terão prazo de 60 meses. Já os valores referentes ao FGTS foram renegociados junto à Caixa Econômica Federal, com 30% de desconto e parcelamento em até 60 vezes. A contribuição social prevista na Lei Complementar 110/2001 será quitada à vista, com redução de 70%.
Para garantir o cumprimento do acordo, o Corinthians ofereceu bens e receitas como garantia. A sede social do clube, o Parque São Jorge, avaliada em R$ 602,2 milhões, foi empenhada, além da destinação direta de repasses da Timemania para amortização da dívida. O clube também se comprometeu a manter rigorosamente em dia o pagamento de tributos futuros, sob pena de perder os benefícios concedidos.
Segundo a PGFN, o acordo faz parte de uma política nacional de regularização fiscal de clubes esportivos. Outras grandes equipes do futebol brasileiro também firmaram transações semelhantes nos últimos anos, buscando equilíbrio financeiro e segurança jurídica para suas operações.
O Corinthians não é um caso isolado na tentativa de reorganizar suas finanças e garantir regularidade fiscal. Nos últimos anos, a PGFN tem intensificado acordos de transação tributária com clubes de futebol em todo o país, como forma de viabilizar o pagamento de dívidas federais e assegurar sustentabilidade financeira ao setor esportivo.
Entre os exemplos recentes está o Sport Club Internacional, que em 2025 firmou acordo no âmbito do programa Transação SOS-RS, criado para auxiliar instituições afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. O clube gaúcho regularizou um passivo tributário que ultrapassava R$ 370 milhões, com aplicação de descontos sobre juros e multas e parcelamento do valor final.
Outro caso emblemático é o do Cruzeiro, que renegociou cerca de R$ 334 milhões em débitos tributários com a União, ajustando prazos e encargos como parte do processo de reestruturação financeira do clube. Já o Sport Recife obteve, em 2023, uma redução de aproximadamente 50% sobre um passivo estimado em R$ 114 milhões, também por meio de transação com a PGFN.
O Atlético-MG, por sua vez, firmou acordo para quitar cerca de R$ 42 milhões em dívidas federais, enquanto outros grandes clubes do futebol brasileiro, como Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense e Bahia, também já aderiram a programas de negociação com o fisco ao longo dos últimos anos.