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Conmebol avalia nova competição para definir vagas da América do Sul na Copa de 2030

Entidade discute formato semelhante a uma Liga das Nações, com premiação e título próprio

De Paul e Marquinhos em Argentina x Brasil pelas eliminatórias - Foto: Getty Images/ Reprodução/GE

Jorge Simonsen Publicado em 18/11/2025, às 15h15

A Conmebol estuda um novo modelo para definir as seleções sul-americanas classificadas para a Copa do Mundo de 2030. A proposta em discussão prevê a criação de um torneio próprio, nos moldes de uma Liga das Nações continental, com taça, premiação em dinheiro e calendário estruturado de forma semelhante ao atual formato das Eliminatórias. A ideia busca conciliar o interesse esportivo com a necessidade de manter as nove partidas como mandante, consideradas fundamentais para a geração de receita das federações.

O debate também leva em conta a participação de Argentina, Paraguai e Uruguai, países que já têm vaga garantida no Mundial por sediar as partidas inaugurais. Mesmo sem a pressão da classificação, as entidades esperam que a presença dessas seleções seja mantida por meio de incentivos esportivos e financeiros.

Uma das referências para a possível mudança é a competição adotada como fase classificatória para a Copa Feminina de 2027. Nela, nove seleções disputam oito rodadas, com duas vagas diretas e outras duas encaminhadas ao play-off da Fifa. No futebol masculino, o torneio seria maior, mantendo a lógica de pontos corridos e enfrentamentos em turno e returno entre todas as equipes. A novidade ficaria por conta da conquista de um título oficial e da distribuição de premiações que tornariam o campeonato mais atrativo.

A manutenção das datas e do número de jogos como mandante é um ponto crucial para as federações. São esses compromissos que garantem boa parte da renda proveniente de direitos de transmissão, bilheteria e ações comerciais. Esse fator pesou também no ciclo anterior, quando a América do Sul recebeu duas vagas extras para a Copa de 2026, mas optou por não alterar o formato tradicional.

A Copa do Mundo de 2030 terá seis vagas diretas para a Conmebol e uma vaga para a repescagem intercontinental. Três dessas posições já pertencem a Argentina, Paraguai e Uruguai, o que reduz a disputa entre as outras seleções e levanta dúvidas sobre o nível de competitividade. A Conmebol acredita que a criação de uma competição própria pode preservar o interesse técnico e comercial da classificatória.

A expectativa é que a decisão seja tomada logo após a Copa de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México. Até lá, dirigentes admitem que as propostas ainda estão em fase inicial e que não há consenso sobre o modelo ideal. Em paralelo, a Conmebol tenta convencer a Fifa a ampliar a Copa de 2030 para 64 seleções. A possibilidade enfrenta resistência crescente, inclusive dentro do continente, já que muitos dirigentes consideram que um Mundial ainda maior poderia comprometer o calendário e até colocar em risco a existência das Eliminatórias nacionais.

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