Brasil lidera ranking de camisa de seleção mais cara no bolso do torcedor

Preço do uniforme oficial da Seleção compromete até 22% da renda média mensal dos brasileiros, maior percentual entre países campeões da Copa do Mundo

Modelo usado pelos jogadores em campo é o mais caro disponível para os torcedores - Imagem: Reprodução | Nike

Lívia Gennari Publicado em 19/05/2026, às 16h18 - Atualizado às 16h40

A camisa oficial da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 é a que mais pesa no orçamento dos torcedores entre todos os países que já conquistaram o torneio. Vendido por R$ 749,99 nas lojas oficiais, o uniforme tem impacto proporcionalmente maior sobre a renda da população brasileira do que em Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Argentina e Uruguai.

Um evantamento realizado pela BBC News Brasil comparou o preço das camisas oficiais comercializadas pelas fornecedoras esportivas com a renda média mensal dos habitantes desses países. No caso do Brasil, o valor da peça representa cerca de 22,2% da renda média mensal calculada pelo IBGE, estimada em R$ 3.367.

A reportagem também utilizou dados do Banco Mundial para padronizar a comparação internacional. Segundo o organismo, a renda média mensal per capita do brasileiro é de US$ 859, o equivalente a aproximadamente R$ 4.289 na cotação atual. Mesmo considerando esse indicador mais alto, a camisa ainda compromete cerca de 17,5% da renda mensal no país.

Caso o cálculo fosse feito com base no salário mínimo brasileiro, o peso seria ainda maior: o uniforme corresponderia a 46,3% do valor recebido mensalmente por um trabalhador que ganha o piso nacional.

O estudo ressalta, porém, que o salário mínimo não é um parâmetro ideal para comparações internacionais. Isso porque, enquanto cerca de um terço dos trabalhadores brasileiros recebe o piso salarial, em países como a Alemanha apenas uma pequena parcela da população depende do salário mínimo legal.

América do Sul lidera ranking de uniformes mais caros 

Entre os países campeões da Copa do Mundo analisados, os três maiores impactos proporcionais sobre a renda aparecem justamente entre os sul-americanos. Depois do Brasil, aparecem Uruguai e Argentina, onde a compra da camisa oficial compromete 9,9% e 9,2% da renda média mensal, respectivamente.

Já nas nações europeias, o peso do uniforme no bolso dos torcedores é significativamente menor. Na Alemanha, a camisa representa 3,7% da renda mensal média. Na Inglaterra, o percentual chega a 4%; na França, 4,8%; na Itália, 5,2%; e na Espanha, 5,9%, o maior índice entre os europeus analisados.

Os dados foram obtidos a partir do cruzamento de informações econômicas do Banco Mundial com os preços divulgados nas lojas oficiais da Nike e da Adidas, fabricantes responsáveis pelos uniformes das seleções.

A comparação considerou as chamadas “camisas de jogador”, modelos equivalentes aos utilizados pelos atletas em campo. Embora existam versões mais baratas à venda no Brasil, nem todos os países oferecem linhas alternativas semelhantes, o que levou a reportagem a utilizar um padrão único para todos os mercados analisados.

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