Declaração feita por amiga do casal durante aniversário gera debate nas redes e reacende discussões sobre histórico de controvérsias envolvendo intolerância e racismo
Gabriela Nogueira Publicado em 17/11/2025, às 17h19
Um vídeo registrado durante a festa de aniversário da influenciadora Tata Estaniecki viralizou nas redes sociais neste sábado (15) e colocou Tata e Júlio Cocielo, de volta no centro dos comentários online. Nas imagens, uma amiga aparece dizendo que “acabou o mistério”, dando a entender que os dois teriam reatado o casamento. Logo depois, outra convidada solta: “as macumbeiras vão ter que se empenhar mais”, frase que causou reação imediata e foi criticada por reforçar estigmas sobre religiões de matriz africana.
A repercussão foi rápida, principalmente porque o comentário surgiu em torno de um casal que já esteve envolvido em polêmicas ligadas a discursos discriminatórios. Nas redes, muitos usuários apontaram a contradição diante do histórico de acusações de racismo envolvendo Cocielo.
Júlio Cocielo, que recentemente anunciou a separação de Tata, já havia sido réu em um processo por crime de racismo por conta de publicações feitas entre 2011 e 2018. Os tweets — considerados ofensivos pelo Ministério Público — incluíam frases depreciativas sobre pessoas negras e um comentário sobre o jogador Kylian Mbappé durante a Copa de 2018. O influenciador apagou milhares de posts e chegou a fazer um pedido público de desculpas. Em 2024, foi absolvido pela Justiça Federal, que entendeu que não ficou comprovada a intenção de incitar ódio racial, embora tenha classificado as frases como “moralmente reprováveis”.
Mesmo absolvido, o caso virou um marco na trajetória do youtuber e segue sendo lembrado pelo público. Por isso, a frase dita na festa — ainda que por uma convidada, não por Tata ou Cocielo — reacendeu discussões sobre a responsabilidade de influenciadores e o respeito às religiões afro-brasileiras.
Indignação nas redes
Nas redes sociais, a reação foi de indignação. Muitos internautas criticaram o tom intolerante da fala.
Vários comentários viralizaram:
“As macumbeira vão ter que se empenhar mais’… tem gente que não perde uma oportunidade, né? Nem a de ficar calada. Tão brega fazer esses comentários intolerantes.”
Outro usuário questionou a postura da convidada:
“A outra amiga só apareceu para ser intolerante religiosa mesmo?”
Houve também quem ironizasse a ideia de “culpar” religiões:
“Um total de zero pessoas fazendo macumba pra separar o casal.”
E outros reforçaram o incômodo com a repetição do estigma:
“Acho péssimo quando colocam a culpa em uma religião. Uma hora é ‘macumba’, outra é ‘demônio’. Ele tomou a decisão dele, é adulto. Parem de culpar religiões!”
Especialistas lembram que o termo “macumbeira”, quando usado de forma pejorativa, reforça preconceitos antigos e ajuda a marginalizar práticas religiosas afro-brasileiras — que já estão entre as que mais sofrem ataques e intolerância no país.
Tata Estaniecki, inclusive, já havia enfrentado críticas por insensibilidade no passado. Em 2018, ela precisou se desculpar depois de dizer que sua fantasia para o Baile da Vogue era uma “homenagem aos escravos”, usando um acessório que internautas compararam a instrumentos de tortura do período da escravidão.
Até agora, Tata e Cocielo não comentaram publicamente o vídeo que circula nas redes.