Filme sobre Ney Matogrosso expõe confissão íntima de Cazuza em seus últimos dias
Manoela Cardozo Publicado em 30/06/2025, às 16h27
A cinebiografia Homem com H, que estreou na última semana na Netflix, reacendeu o interesse do público pela trajetória de Ney Matogrosso e pelos bastidores da música brasileira. Um dos aspectos que mais tem despertado a curiosidade dos espectadores é a relação do artista com Cazuza — ícone do rock nacional que morreu precocemente em decorrência da Aids, aos 32 anos, em julho de 1990.
Segundo o livro Ney Matogrosso – A Biografia, escrito pelo jornalista Julio Maria, Cazuza compartilhou com Ney um dos arrependimentos mais profundos de sua vida, já durante o tratamento contra o HIV. Em uma conversa íntima com o ex-namorado, Cazuza se mostrou tocado por um conflito mal resolvido com o pai, o produtor musical João Araújo, fundador da gravadora Som Livre.
“Eu falei tão mal do meu pai e agora é o dinheiro dele que está me mantendo vivo”, disse Cazuza.
A declaração revela um lado vulnerável do cantor de Exagerado, que por muitos anos criticou a indústria fonográfica — justamente o meio que sustentava sua família e, ironicamente, financiou seus últimos cuidados médicos. A frase também evidencia o impacto emocional das reconciliações tardias, principalmente em situações-limite como a enfrentada por ele.
No longa-metragem dirigido por Esmir Filho, a relação entre Cazuza e Ney Matogrosso é retratada de forma intensa e breve, com duração aproximada de três meses. O filme não se limita à biografia artística de Ney, mas mergulha em seus afetos, sua liberdade, seus amores e suas dores. A história dos dois cantores é apresentada como um recorte emocional carregado de paixão, rebeldia e fragilidade.
Homem com H vem sendo apontado por críticos e fãs como uma das produções mais sensíveis já feitas sobre Ney Matogrosso e, indiretamente, sobre figuras centrais da música brasileira como Cazuza.