Rapper escapa de acusações de tráfico sexual, mas deve enfrentar até 20 anos de prisão por transporte com fins de prostituição
William Oliveira Publicado em 02/07/2025, às 12h44
O rapper Sean Combs, amplamente conhecido como P. Diddy, recebeu o veredicto de seu julgamento na manhã desta quarta-feira (2), no tribunal federal de Manhattan. O júri o absolveu das acusações mais severas, como tráfico sexual e conspiração para extorsão, mas o considerou culpado em dois casos de transporte de pessoas para fins de prostituição, infração que pode levar a até 10 anos de prisão por ocorrência.
Apesar da condenação, o resultado foi considerado uma vitória parcial para a defesa, que enfrentava o risco de pena perpétua. Combs permanece detido, enquanto o juiz federal Arun Subramanian decide se ele poderá responder em liberdade até a audiência de sentença, prevista para os próximos dias.
O júri, formado por oito homens e quatro mulheres, deliberou por mais de 13 horas ao longo de dois dias. Ao ouvir a decisão, o artista fez um gesto de oração, esboçou um leve sorriso e cumprimentou sua equipe jurídica e familiares presentes.
As denúncias vieram à tona em novembro de 2023, causando um verdadeiro abalo na indústria do entretenimento. Os autos do processo citavam supostos vínculos do rapper com exploração sexual e atividades criminosas organizadas, incluindo dois casos de tráfico sexual — envolvendo a cantora Cassie Ventura e uma mulher identificada apenas como “Jane”. Ambas as acusações, no entanto, foram descartadas por falta de provas consistentes.
A situação se agravou em setembro de 2024, quando Combs foi formalmente preso em Manhattan, após um grande júri apresentar um indiciamento com base nas investigações conduzidas pelo FBI. A promotoria sustentava que o rapper teria financiado viagens e estadias de mulheres com o objetivo de explorá-las sexualmente, o que configuraria crime federal, mesmo sem uso de coerção direta.
A defesa negou as acusações, classificando-as como “sensacionalistas” e motivadas por disputas pessoais. Argumentaram que episódios anteriores de violência doméstica e vícios não poderiam ser confundidos com tráfico humano. A equipe jurídica também alegou que os processos civis, como o movido por Ventura, teriam estimulado uma onda de denúncias com intenções duvidosas.
Mesmo assim, o tribunal entendeu que houve responsabilidade nos dois casos de transporte com fins de prostituição. Documentos e mensagens apresentadas durante o julgamento indicavam um padrão de comportamento que, segundo a acusação, visava manter controle sobre mulheres envolvidas com o artista.
Quem é Sean Combs?
Sean John Combs, conhecido mundialmente pelos nomes artísticos Diddy, P. Diddy ou Puff Daddy, é uma das figuras mais emblemáticas da indústria musical e empresarial dos Estados Unidos. Nascido em 4 de novembro de 1969, no Harlem, em Nova York, ele foi criado por sua mãe após o assassinato de seu pai em 1972 — episódio trágico que marcou sua infância e o motivou a trilhar um caminho de superação e ambição.
Atualmente com 54 anos, Combs iniciou seus estudos em Administração na Universidade de Howard, onde começou a dar os primeiros passos rumo à fama. Sua carreira musical e executiva teve início em 1990, como estagiário na Uptown Records. Seu talento e ousadia o levaram rapidamente a se destacar, até conquistar o cargo de diretor da gravadora.
Em 1994, deu um salto decisivo ao fundar sua própria empresa, a Bad Boy Records, selo responsável por alavancar as carreiras de diversos artistas e consolidar o hip-hop como um fenômeno global. Sua influência foi amplamente reconhecida em 1997, com o lançamento do álbum "No Way Out", que lhe rendeu o Grammy de Melhor Álbum de Rap e vendeu milhões de cópias no mundo todo.
Mais do que rapper, Diddy se estabeleceu como um produtor visionário e um empreendedor multifacetado, investindo em moda, bebidas alcoólicas e outras áreas lucrativas. Ao longo das décadas, ele se tornou sinônimo de sucesso comercial e impacto cultural, sendo visto mais como um estrategista e líder da indústria do que como um artista convencional.