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Pastor é acusado de crime grave contra jovem autista e família pede indenização

Vídeo emocionante que mobilizou milhares nas redes agora levanta suspeitas e provoca disputa judicial

Pastor é acusado de crime grave contra jovem autista e família pede indenização - Imagem: Reprodução

Manoela Cardozo Publicado em 14/03/2026, às 19h12

Uma moradora do Distrito Federal decidiu levar à Justiça o pastor Anderson Silva após afirmar que a imagem do próprio filho, um adolescente com autismo, foi usada em uma campanha de arrecadação nas redes sociais sem que a família tivesse recebido o dinheiro prometido. O processo pede indenização por danos morais e materiais e questiona o destino dos valores obtidos durante a mobilização.

O episódio começou quando um vídeo divulgado pelo líder religioso passou a circular amplamente na internet. A gravação mostrava o jovem, diagnosticado com autismo em nível elevado de suporte, enquanto o pastor relatava a situação da família e pedia ajuda financeira para melhorar as condições de vida dos dois. A publicação rapidamente ganhou repercussão e alcançou centenas de milhares de visualizações.

Segundo a mãe do adolescente, ela havia procurado o projeto social mantido pelo pastor em busca de apoio para adaptar a casa onde moravam, em Sobradinho. O filho exigia cuidados constantes e frequentemente saía de casa sem supervisão, o que aumentava a preocupação da família. Durante uma visita ao imóvel, o pastor pediu autorização para registrar imagens e garantiu que o dinheiro arrecadado seria destinado diretamente à situação deles.

No vídeo divulgado, o próprio religioso fez um apelo público e explicou o plano que pretendia executar com as doações. “Eu quero e vou intervir na vida desse jovem e da mãe dele. Quero alugar uma casa, que eles estarão perto de nós, onde terão todo o apoio terapêutico. Vamos gerar uma comunidade ao redor deles. Quero levantar R$ 30 mil reais para alugar a casa, mobiliar a casa e para o plano de saúde para Karina e ao filho dela”, afirmou na gravação.

A família afirma que chegou a se mudar para um imóvel alugado em Samambaia enquanto aguardava a reforma da casa original. De acordo com a mãe, durante algum tempo o aluguel e algumas despesas foram pagos pelo projeto, mas os repasses teriam sido interrompidos meses depois. A obra prometida nunca teria saído do papel.

Ainda segundo a ação judicial, a ajuda para alimentação também teria sido paga apenas por um curto período. Com o passar do tempo, a mulher diz ter descoberto que a campanha teria arrecadado valores muito superiores aos anunciados inicialmente após a repercussão nas redes.

De acordo com o processo, os vídeos ligados à mobilização teriam impulsionado doações que ultrapassariam a casa dos milhões. A família sustenta que nunca recebeu qualquer parte desse montante e afirma que também não houve prestação de contas sobre o dinheiro levantado.

Os advogados responsáveis pela ação pedem indenização de 330 mil reais e argumentam que houve exploração indevida da imagem do adolescente, considerado uma pessoa em situação de vulnerabilidade. A defesa da família sustenta que o caso envolve exposição pública sem transparência sobre o destino das contribuições feitas por seguidores sensibilizados pela história.

Procurado para comentar as acusações, o pastor não respondeu aos questionamentos até o momento.

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