Tribunal na Califórnia analisa caso que acusa plataformas de criar dependência digital em jovens
Erika Osti Publicado em 28/01/2026, às 18h35
O julgamento de Meta, TikTok e YouTube começou na terça-feira (27) nos Estados Unidos, em um tribunal da Califórnia, para analisar alegações de que as plataformas contribuíram para dependência digital e danos à saúde mental de jovens. A ação, considerada histórica, abre nova fase no debate global sobre o impacto das redes sociais na vida de crianças e adolescentes.
O caso foi iniciado por uma mulher de 19 anos, identificada como K.G.M., que afirma ter desenvolvido vício nas plataformas desde a infância devido ao design dos aplicativos, criado para manter os usuários conectados por longos períodos. Segundo os autos do processo, o uso intenso estaria ligado à piora de sua saúde mental, incluindo depressão, pensamentos suicidas, bullying e extorsão sofridos nas redes.
A pesquisa da JustWatch sobre comportamento de usuários mostra que essas interações, buscas, marcação de conteúdos assistidos e listas de interesse, refletem a forma como os jovens consomem conteúdos de streaming e redes sociais, reforçando a relevância do caso.
Enquanto o TikTok fechou acordo com a autora antes do início do julgamento, Meta e YouTube permanecem no processo. O acordo com a Snap, outra empresa mencionada, também não teve detalhes divulgados. O julgamento, que deve se estender por seis a oito semanas, poderá contar com testemunhos de executivos seniores das empresas, incluindo o presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg.
As empresas negam que seus produtos causem prejuízos à saúde mental e afirmam que oferecem ferramentas de controle e proteção para menores de idade. Especialistas apontam que o resultado do caso pode influenciar centenas de ações semelhantes nos EUA e reforça a pressão legal, política e regulatória sobre gigantes da tecnologia quanto à responsabilidade pelo conteúdo e tempo de uso em seus serviços.