Músico que transformou objetos em sons únicos faleceu, deixando um legado de inovação e criatividade na música brasileira
Redação Publicado em 14/09/2025, às 09h32
O músico que conseguia extrair sons de chaleiras, brinquedos, bacias com água e praticamente qualquer objeto que encontrasse pela frente, se despediu da vida neste sábado (13). Hermeto Pascoal, um dos artistas mais geniais e criativos da história da música brasileira, faleceu aos 89 anos. A notícia foi confirmada por uma postagem em suas redes sociais oficiais, sem que a causa da morte fosse informada.
Conhecido como o “bruxo” ou o “mago dos sons”, Hermeto construiu uma carreira baseada na liberdade e na experimentação. Nascido em Lagoa da Canoa, em Alagoas, em 1936, sua história com a música começou de forma única. Por ser albino, ele não podia trabalhar na roça como os outros meninos, e essa condição o aproximou de outro universo: o dos sons da natureza. Desde pequeno, ele se conectou com o canto dos pássaros e o barulho do vento, criando seus próprios instrumentos improvisados e desenvolvendo uma sensibilidade musical que o tornaria uma referência mundial.
Sua jornada profissional começou cedo, aos 10 anos, com o acordeão, e aos 14 ele já se apresentava em uma rádio em Recife. Na década de 1960, já em São Paulo, ele foi uma figura central na cena musical da época, formando grupos importantíssimos como o Sambrasa Trio e o lendário Quarteto Novo.
Uma carreira de inovações e prêmios
O talento de Hermeto era grande demais para ficar restrito ao Brasil. Nos anos 1970, ele foi para os Estados Unidos, onde seu som inovador chamou a atenção de gigantes do jazz. O convite para gravar com o icônico trompetista Miles Davis abriu as portas do mercado internacional e o consagrou como um músico de vanguarda. Foi nesse período que ele lançou álbuns que se tornaram clássicos, como “Slaves Mass”.
Hermeto nunca aceitou rótulos. Ele preferia chamar sua obra de "música universal", uma mistura que passeava com fluidez entre o jazz, o frevo, o baião, o choro e a música clássica, sempre com a improvisação como guia principal. Esse som único lhe rendeu uma coleção de prêmios ao longo da vida, incluindo três Grammys Latinos.
Mesmo aos 89 anos, ele continuava ativo e sendo celebrado. Em 2024, ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Jazz com “Pra Você, Ilza”, um trabalho em homenagem à sua companheira. Este ano, foi eleito o Melhor Artista Instrumental no Prêmio da Música Brasileira 2025. Sua última apresentação no Brasil foi em junho, no Rio de Janeiro. Hermeto Pascoal deixa um legado imenso para a cultura, além de uma grande família com seis filhos, 13 netos e dez bisnetos.