A Acadêmicos de Niterói perdeu a vaga no Grupo Especial depois de um desfile que exaltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ano eleitoral, e agora enfrenta consequências jurídicas e políticas que culminaram no rebaixamento
Marina Milani Publicado em 18/02/2026, às 17h26
O desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu os desfiles do Grupo Especial no Carnaval do Rio de Janeiro com uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformou-se em um dos episódios mais controversos da festa em 2026 — e terminou com um desfecho duro: a escola caiu para o grupo de acesso após a apuração das notas.
A agremiação apresentou um enredo que contava a trajetória de Lula — da infância pobre ao cargo de presidente — e incluiu referências a programas sociais do governo. A presença do chefe do Executivo na Sapucaí contribuiu para que opositores acusassem o desfile de configurar propaganda eleitoral antecipada em ano de eleição, algo proibido pela legislação brasileira.
Desde a apresentação, setores da oposição entraram com representações no Tribunal Superior Eleitoral e afirmaram que o espetáculo não foi apenas cultural, mas eleitoralmente enviesado e potencialmente financiado com recursos públicos, já que a escola recebeu apoio semelhante ao destinado às demais agremiações.
Parlamentares críticos classificaram partes do desfile como um “deboche” contra grupos conservadores, especialmente em alas que retrataram evangélicos e setores da direita de forma caricata. Já o Partido Novo anunciou que pretende pedir a inelegibilidade do presidente, sob o argumento de que o samba-enredo teria extrapolado a homenagem artística e auxiliado uma campanha fora do prazo legal.
Em contrapartida, o Partido dos Trabalhadores e a própria escola defenderam que o desfile se enquadra na liberdade de expressão cultural assegurada pela Constituição e que não houve pedido explícito de votos nem uso direto de verbas eleitorais.
Especialistas apontam que, embora a Justiça Eleitoral tenha permitido o desfile por respeito à manifestação artística, o caso ainda pode ser analisado sob outros aspectos jurídicos.
O fato é que o que começou como um tributo no maior espetáculo do samba terminou com impacto direto na avenida: a Acadêmicos de Niterói deixa o Grupo Especial sob o peso da polêmica, em um Carnaval que misturou ritmo, política e consequências.