Decisão fortalece parceria já anunciada e redefine o rumo da negociação por ativos de mídia
Gabriela Nogueira Publicado em 17/12/2025, às 13h34
A disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery ganhou novos capítulos nesta semana e colocou três gigantes do entretenimento no centro de uma negociação bilionária. Poucos dias depois de a Netflix anunciar um acordo para comprar ativos estratégicos da Warner, a Paramount Skydance apresentou uma proposta hostil de aquisição avaliada em US$ 108,4 bilhões. A reação da Warner foi imediata.
Em reunião realizada nesta quarta-feira (17), o conselho da empresa recomendou formalmente que os acionistas rejeitem a oferta da Paramount. A decisão reforça o compromisso da Warner com o acordo já fechado com a Netflix, considerado mais vantajoso e seguro do ponto de vista financeiro e estratégico.
Segundo a direção da companhia, a proposta da Paramount ficou abaixo do valor entregue pelo pacto com a Netflix, que prevê uma valorização estimada de US$ 27,75 por ação. Além disso, o contrato com a plataforma de streaming é vinculante, não depende de novas captações de recursos e já contempla a absorção das dívidas da Warner.
Caso seja concluída, a operação com a Netflix pode alcançar um valor total próximo de US$ 82,7 bilhões, considerando as obrigações financeiras que seriam assumidas. Para a empresa liderada por Reed Hastings, o negócio representa um passo decisivo para reduzir a dependência de estúdios externos e ampliar sua atuação em frentes como games e transmissões ao vivo.
A Warner, por sua vez, aposta que a parceria permitirá ampliar o alcance de suas produções e entregar mais opções ao público global. O catálogo envolvido inclui algumas das franquias mais valiosas da indústria, como Harry Potter, Friends e as produções originais da HBO, além de estúdios de cinema e televisão.
A oferta da Paramount foi apresentada apenas três dias após o anúncio do acordo com a Netflix e prevê o pagamento de US$ 30 por ação em dinheiro, valor que supera o preço implícito da negociação com a concorrente. Ainda assim, ao somar as dívidas envolvidas, a Warner avaliou que a proposta não compensa os riscos e incertezas do processo.
O embate escancara a intensificação da chamada guerra do streaming, em que o controle de catálogos robustos e marcas consolidadas pode definir os próximos líderes do setor. Executivos de Hollywood, investidores e reguladores acompanham de perto os desdobramentos, que já despertaram atenção também em Washington.
Desde setembro, a Paramount vem avaliando alternativas para se reposicionar no mercado e formar um conglomerado capaz de enfrentar gigantes como Netflix e Apple. A tentativa de adquirir a Warner mostra a ambição do grupo, mas, ao menos por enquanto, encontra resistência firme do outro lado da mesa.