Conteúdo atingiu 44 milhões de acessos e impactou pais e especialistas
Manoela Cardozo Publicado em 18/08/2025, às 10h49
O humorista e influenciador Felca chamou atenção nacional após publicar um vídeo sobre a exploração e adultização de crianças na internet. A denúncia viralizou e reacendeu a discussão sobre o papel das redes sociais na proteção infantil.
O vídeo ganhou força porque Felca relatou vivências próximas de pessoas que sofreram abusos na infância. Em entrevista ao programa Fantástico, ele afirmou: "Eu conhecia pessoas do meu convívio social que foram abusadas sexualmente na infância. Eu pensava em como consolar aquela pessoa e comecei a estudar sobre o assunto".
Na mesma conversa, destacou a responsabilidade de quem tem visibilidade online. "Comecei a pensar que eu estou nesse lugar de poder ver uma coisa que não é tão legal e falar sobre ela. Muitos influenciadores têm esse poder, só que preferi exercer".
A repercussão foi rápida. Em menos de um dia, o vídeo superou 4 milhões de visualizações. Hoje, já passa de 44 milhões. O conteúdo impactou diretamente pais e responsáveis. Cristiane, professora e mãe, revelou que reviu a forma como expõe o filho nas redes.
“Até porque criança dá engajamento. Só que eu não tinha ideia dessa sujeirada toda e eu me senti muito mal como mãe. Aí na hora eu arquivei tudo, tirei, não farei mais porque preciso proteger, é minha função proteger meu filho”, disse.
O termo “adultização”, usado por Felca, descreve o processo de inserir crianças em contextos adultos e de limitar seu espaço de brincar livremente. Segundo especialistas ouvidos pelo Fantástico, essa prática compromete o desenvolvimento emocional e pode causar impactos duradouros na saúde mental.
Outro ponto levantado pelo influenciador foi o funcionamento dos algoritmos. No vídeo, ele mostrou como é possível chegar rapidamente a conteúdos ligados à pedofilia, favorecidos pela lógica de recomendação automática.
Felca apelidou o fenômeno de “algoritmo P” para explicar como sistemas de recomendação contribuem para a circulação de material que sexualiza menores. Procurada, a Meta, empresa responsável pelo Instagram, declarou que remove conteúdos ilegais assim que identificados e que adota medidas para restringir o acesso de adultos suspeitos a perfis de crianças.