Durante o processo, Capricorn Clark detalhou ameaças de morte e um plano de assassinato contra Kid Cudi, envolvendo Diddy e sua segurança
William Oliveira Publicado em 28/05/2025, às 09h10
Em um depoimento impressionante durante o julgamento federal por tráfico sexual em andamento em Manhattan, uma ex-assessora de Sean "Diddy" Combs, identificada como Capricorn Clark, afirmou ter sido ameaçada de morte pelo magnata do hip-hop logo em seu primeiro dia de trabalho. A revelação foi feita na última terça-feira (27) e incluiu detalhes sobre um suposto sequestro enquanto Diddy planejava assassinar o rapper Kid Cudi.
O testemunho de Clark marca o início da terceira semana de audiências em um processo que envolve acusações graves contra Combs, incluindo uma suposta conspiração de extorsão que teria se estendido por mais de duas décadas. Promotores alegam que o rapper comandava um esquema baseado em ameaças, violência e coerção para silenciar colaboradores.
Diddy, de 55 anos, se declarou inocente das acusações, que também envolvem alegações de abuso contra sua ex-namorada, Cassie Ventura, e outras mulheres. Caso seja condenado, ele pode enfrentar penas que variam de 15 anos até prisão perpétua.
Clark relembrou um episódio ocorrido em dezembro de 2011, quando, segundo ela, foi forçada por Combs a acompanhá-lo até a casa de Kid Cudi após ele descobrir que o rapper estava se relacionando com Cassie. Diddy estaria armado e teria dito: “Nós vamos matar o Cudi”.
Durante o trajeto, Clark ligou para Cassie para alertá-la. “Ele está aqui comigo com uma arma e me levou até a casa do Cudi para matá-lo”, relatou. Cudi, ao ouvir o que estava acontecendo, questionou se Diddy realmente estava lá, enquanto Cassie disse que não poderia interferir.
Segundo o depoimento, Combs percebeu a ligação ativa, tomou o celular das mãos de Clark e falou com Cassie. Em seguida, ele e seu segurança iniciaram uma perseguição ao verem Cudi chegando de carro, mas a ação foi interrompida com a chegada da polícia.
Clark contou ainda que Diddy a ameaçou: “Se vocês não convencerem ele de que não fui eu, vou matar todos vocês”. Ela e Cassie, então, teriam ido até a casa de Cudi para tentar conter a situação e evitar denúncias.
A ex-assessora também narrou episódios em que presenciou Combs agredindo Cassie. Ela disse ter visto o artista chutando as pernas e as costas da cantora enquanto ela chorava encolhida no chão, sem coragem para intervir.
Os advogados de defesa contestaram as alegações e convenceram o juiz Arun Subramanian a orientar os jurados a desconsiderarem parte do depoimento. O advogado Marc Agnifilo questionou a precisão das memórias de Clark, que admitiu confusão quanto a alguns detalhes devido ao tempo decorrido.
Kid Cudi, por sua vez, confirmou que teve um breve relacionamento com Cassie em dezembro de 2011, acreditando que ela já havia terminado com Diddy.
Clark também relatou que, em seu primeiro dia na gravadora Bad Boy Entertainment, foi levada por Diddy e um segurança até o Central Park, onde recebeu ameaças: caso colaborasse com outros rappers, ele “teria que matá-la”.
Outro episódio mencionado envolveu o desaparecimento de joias que Clark transportava. Ela contou que foi submetida a testes de polígrafo durante cinco dias e ameaçada por um homem imponente que afirmou: “Se você falhar nesse teste, eles vão te jogar no East River”.
A defesa destacou, contudo, que mesmo após esses episódios, Clark continuou trabalhando com Combs e, no ano passado, teria se oferecido para um cargo executivo. A proposta, segundo o advogado, foi recusada por Diddy.