Engenheiro de áudio acumulou Grammys e trabalhou com ícones do Brasil e do exterior
Erika Osti Publicado em 22/04/2026, às 18h49
O produtor musical e engenheiro de som Moogie Canazio morreu na terça-feira (21), aos 70 anos, em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde vivia desde o fim dos anos 1970. Segundo relatos da família, ele passou mal em casa e chegou a ser atendido por paramédicos, que tentaram reanimá-lo, mas não houve sucesso. A morte foi confirmada pela esposa, Márcia Canazio, nas redes sociais. A causa não foi divulgada.
Reconhecido como um dos nomes mais respeitados da engenharia de áudio, Canazio construiu uma trajetória sólida nos bastidores da indústria fonográfica. Ao longo de décadas, participou de gravações históricas e ajudou a moldar o som de artistas consagrados no Brasil e no exterior. Entre seus trabalhos mais emblemáticos está o álbum “João, Voz e Violão” (2000), de João Gilberto, que lhe rendeu um Grammy em 2001 na categoria de música mundial.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1955, Antônio Canazio começou na música ainda jovem, como baterista e DJ. Em 1979, mudou-se para os Estados Unidos e iniciou carreira no estúdio Kendun Recorders, em Burbank, na Califórnia. Lá, evoluiu de assistente a engenheiro de som, consolidando uma reputação baseada na precisão técnica e na busca por excelência sonora.
O portfólio reúne colaborações com alguns dos maiores nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Tom Jobim, Ivan Lins e Rita Lee, além de artistas internacionais como Ray Charles, Diana Ross e Dionne Warwick. Também trabalhou com nomes de diferentes gerações, como Sandy e a dupla Sandy & Junior, além de projetos mais recentes com artistas contemporâneos.
Ao longo da carreira, Canazio acumulou dois prêmios Grammy e sete Grammys Latinos, além de indicações importantes. Seu trabalho no álbum “Brasileiro” (1992), de Sérgio Mendes, também foi reconhecido pela academia norte-americana.
Além da atuação em estúdio, teve papel institucional relevante. Em 2008, passou a integrar o conselho da Academia Latina da Gravação e, em 2011, foi eleito vice-presidente da entidade, cargo que ocupou até 2019. A participação reforçou sua influência nos rumos da música latina no cenário global.
A morte provocou comoção entre artistas e profissionais do setor. O cantor Daniel destacou o aprendizado ao lado do produtor, enquanto Sandy lamentou a perda nas redes sociais. O curador musical Zé Ricardo afirmou que Canazio era inspiração dentro e fora dos estúdios.
Em nota, a família resumiu a trajetória do produtor como uma vida dedicada à música. “Ele construiu uma carreira extraordinária, trabalhando com alguns dos maiores artistas do mundo. A música era sua paixão, seu propósito e seu legado”, escreveu a esposa.