ARQUEOLOGIA

Descoberta milenar em gruta no RJ intriga arqueólogos e surpreende o Brasil

Grupo de pesquisadores investiga origem e datação de pinturas rupestres no Parque Nacional de Itatiaia, Rio de Janeiro

Descoberta foi realizada acidentalmente - Imagem: Divulgação / Concessionária Parquetur / PNI

William Oliveira Publicado em 08/04/2025, às 12h17

Um grupo de pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do Parque Nacional de Itatiaia (PNI) foi designado para investigar uma recente descoberta de pinturas rupestres em uma gruta no parque, situado na Serra da Mantiqueira, na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. O objetivo da pesquisa é esclarecer a origem e a datação dessas manifestações artísticas.

MaDu Gaspar, professora do Programa de Arqueologia do Museu Nacional, explicou à Agência Brasil que o grupo também está em busca de outros registros dos povos que habitaram a região. “É raro encontrar áreas com abrigos e grutas contendo pinturas rupestres isoladas; geralmente, esses locais estão interligados”, disse a pesquisadora, ressaltando a importância de compreender melhor o espaço físico e as possíveis rotas utilizadas pelos antigos habitantes.

A divulgação das pinturas foi feita apenas recentemente, para garantir que o parque pudesse se preparar e evitar o acesso indevido ao local, popular entre praticantes de trilhas. Uma das primeiras medidas adotadas foi notificar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela gestão dos sítios arqueológicos no Brasil. “Todas as intervenções feitas por arqueólogos necessitam de autorização do Iphan”, reforçou MaDu Gaspar.

Atualmente, a prioridade é a conservação desse sítio histórico. Câmeras foram instaladas para monitoramento e ações educativas foram realizadas com funcionários e a direção do parque. A datação exata das pinturas ainda é desconhecida, mas os pesquisadores estimam que tenham entre 2 mil e 3 mil anos. Os estudos, porém, estão apenas no início.

A descoberta foi feita por acaso durante uma escalada na parte alta do parque, por Andres Conquista, supervisor operacional da área. Enquanto fotografava lírios vermelhos, notou uma formação rochosa incomum e decidiu entrar na gruta, onde encontrou as pinturas. “O primeiro impacto foi de bastante preocupação. Nunca tinha visto uma pintura rupestre na minha vida, então, não sabia o que era. Achei que fosse uma coisa de turistas, pichações. Alguns segundos depois, vi que não tinha nomes ou datas”, relatou Conquista à Agência Brasil.

A relevância da descoberta é imensa, sobretudo porque o estado do Rio de Janeiro tem sido um polo da pesquisa arqueológica desde o período imperial.

A professora MaDu Gaspar demonstrou surpresa com o achado: “Nos causou surpresa achar um sítio inédito. Não que esses sítios não existam em outros lugares. Existem em Minas [Gerais], mas não havia uma manifestação deste tipo em território fluminense”.

Anderson Marques Garcia, professor do Departamento de Arqueologia da Uerj, destacou que, até então, as pesquisas arqueológicas no estado se concentravam principalmente em áreas costeiras, deixando de lado o interior e suas diversas manifestações culturais. Ele reforçou a necessidade urgente de proteger o novo sítio contra ações que comprometam sua integridade e dificultem futuras investigações.

A área onde as pinturas foram encontradas segue isolada para estudos científicos. A assessoria de imprensa da Parquetur informou que haverá aplicação de multas severas a quem desrespeitar as normas de preservação. Não há previsão de reabertura ao público até a conclusão das análises.

“Agora, é total preservação e controle para que ninguém invada aquela área até que os estudos sejam concluídos”, afirmou a assessoria. Futuramente, a área poderá se transformar em ponto turístico, após o término das pesquisas.
UFRJ SURPRESA PRESERVAÇÃO descoberta Iphan UERJ PINTURAS INTERIOR ESCALADA Investigação arqueologia Parque Itatiaia sítio arqueológico MaDu Gaspar gruta rupestres

Leia também