Enquanto a mídia ataca conversas sobre projetos privados, contratos milionários envolvendo o Governo Lula e o STF passam despercebidos. Onde está a verdadeira transparência?
Douglas Garcia Publicado em 15/05/2026, às 18h33
É impressionante observar a ginástica mental de boa parte dos veículos de comunicação
tradicionais. Atualmente, o alvo da vez é o senador Flávio Bolsonaro. Pedras são atiradas
com entusiasmo, narrativas são construídas sobre diálogos referentes a projetos privados,
mas, curiosamente, uma névoa de amnésia parece baixar sobre as redações quando o
assunto envolve as cifras bilionárias e as conexões perigosas do atual governo e do
Judiciário.
Onde estava essa mesma indignação quando veio a público o contrato de R$ 139 milhões
firmado entre a esposa do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master? Onde estão as
grandes manchetes investigando os tentáculos desse mesmo banco em contratos ligados
diretamente a ministros do governo Lula?
A figura central desses episódios, o empresário Daniel Vorcaro, parece transitar livremente
entre o financiamento do "filme do Lula" e contratos de dinheiro público que deveriam
fazer qualquer jornalista sério erguer as sobrancelhas. O que questiono aqui não é o direito
da imprensa de investigar — este é sagrado. O que exijo é a aplicação de um peso e uma
medida.
"Não faz o menor sentido questionar um projeto de capital privado enquanto se ignora escândalos de corrupção que drenam o dinheiro dos pagadores de impostos.
Por que o silêncio sobre a relação de Vorcaro com o alto escalão do PT e do STF? Por que a
"indignação seletiva" só se manifesta quando o sobrenome em questão é Bolsonaro? Flávio
Bolsonaro já deu o passo necessário ao pedir a abertura da CPI do Banco Master. A pergunta
que não quer calar é: a bancada do PT terá a mesma coragem?
Eles aceitarão a quebra do sigilo bancário do filho do Lula para que a verdade apareça? Se a
resposta for negativa, confirmaremos o que já suspeitamos: não se trata de busca por justiça ou transparência, mas de uma pura e simples narrativa política coordenada para
proteger aliados e perseguir adversários.