Ap. Queila C Martines Publicado em 29/04/2026, às 08h00
Abril está terminando. Antes que você vire a página com o gesto automático de quem já está pensando no próximo mês, quero te convidar a parar. Com uma pergunta que pouquíssimas mulheres têm coragem de fazer: o que este mês me ensinou, e eu ainda não parei para receber?
Talvez o avanço de abril não tenha sido uma conquista visível. Talvez tenha sido a primeira vez que você chorou de verdade. Ou que disse “não” quando queria dizer “sim”. Ou que admitiu, no silêncio da madrugada, que não está bem, e que isso não a faz fraca, apenas humana. Esses não são sinais de que o mês foi perdido. São sinais de que algo foi trabalhado em você.
A Bíblia tem uma consciência profunda dos ciclos. Eclesiastes 3 diz: há tempo para cada coisa debaixo do sol, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para abraçar e para se afastar, para guardar e para lançar fora. Salomão não escreveu isso apenas como poesia. Escreveu como quem entendeu que ignorar os ciclos da vida não os elimina, apenas os adia. A mulher que ignora os ciclos não os supera, ela os arrasta. O que não foi processado em abril aparece em agosto, com juros emocionais que ela não esperava pagar.
Antes de entrar em maio, responda com honestidade: o que abril me mostrou sobre mim que ainda estou resistindo em aceitar? O que carreguei que não era meu? O que quero levar, não como peso, mas como aprendizado?
Há uma palavra hebraica para momentos de travessia: abar, atravessar, cruzar para o outro lado. Josué mandou o povo montar pedras de memória antes de cruzar o Jordão. Não para ficar preso no deserto, mas para nunca esquecer o que Deus fez dentro deles.
Abril foi seu. Com tudo o que trouxe, o que doeu, o que surpreendeu, o que ainda não tem nome. Maio também será. A mulher que entra em cada mês sabendo o que carrega, e por quê, não está apenas sobrevivendo ao calendário. Ela está, devagar e com intenção, se tornando inteira.
Você foi criada para ser inteira, não perfeita.