Rachel Sheherazade

O exemplo vem de cima

Em meio a denúncias, conflitos de interesse e questionamentos sobre a atuação de magistrados, cresce o debate sobre moralização, fiscalização e responsabilidade dentro do Judiciário brasileiro.

- Imagem: Reprodução

Rachel Sheherazade Publicado em 08/05/2026, às 19h12

Ler resumo da notícia

Estamos no meio de um turbilhão de denuncias envolvendo tribunais de Justiça e seus respectivos membros.

É venda de sentença no primeiro grau…é ministro do TST faltando sessão para dar palestra para advogados que vão atuar no próprio tribunal..

Tem o caso da mulher do ministro do Supremo cujo escritório deverá receber 129 milhões de reais para atuar no escândalo do Banco Master…

Tem aquele outro poderoso cujos irmãos seriam sócios de um mega resort de luxo e que foi vendido para pessoas ligadas ao Daniel Vorcaro, o banqueiro bandido.

Lembremos das caronas que Suas Excelências costumam aceitar em jatinhos de mega empresários que, por coincidência, também têm muitos assuntos pendentes na Justiça.

Ah, e não vamos esquecer da frequência de juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores em jantares, festas de luxo e palestras , financiados por milionários que adoram a presença VIP de magistrados.

Teve um ministro, em particular, que me chamou a atenção. Ele é relator de um caso de fraude trabalhista envolvendo uma grande emissora de televisão, mas, outro dia, marcou presença, prestigiando um evento da própria emissora.

Precisava se expor? Não, né!

Juiz tem que ser e parecer imparcial.

Será que Sua Excelência vai se declarar suspeita para julgar a causa da televisão em questão?

Eu acho que não.

As condutas que eu elenquei aqui podem até nem ser consideradas crimes, mas, no mínimo, há, nelas, um gritante conflito de interesses.

Pior é que é muito difícil comprovar a prática de crimes no Judiciário por que, nos tribunais, em geral, há o que chamamos de “espírito de corpo”, a famosa blindagem dos colegas de toga.

No entanto, isso nao é regra.

Pode até haver uma ou outra punição, ou melhor promoção, já que que juiz que pratica crime ganha de presente aposentadoria mais cedo.

Mas, e o tribunal dos tribunais?

A ultima Instância , que é a ultima palavra?

Quem vigia os vigias?

Em quase todo Judiciário, a função de controle administrativo e disciplinar dos juízes cabe ao CNJ.

Mas, o Conselho é impotente para fiscalizar os ministros da Suprema Corte.

Nesse ponto, o ministro Flávio Dino é um dos poucos a defender uma reforma no Judiciário, com mais controle, punições mais severas contra juízes que cometem crimes e o fim da aposentadoria compulsória.

No Supremo, Dino é quase uma voz no deserto, mas que insiste em pregar a moralização da Justiça, partindo do topo.

No TST, o presidente Luiz Phellipe Vieira também demonstra um forte espírito moralizador.

Mas, que fique claro: a Justiça não é incorruptível. Nunca foi!

Como toda instituição humana ela é falível.

Em Ecce Homo, o filósofo Friedrich Nietzsche afirmou: “Nada do que é humano me é estranho”.

Mas, tudo o que é estranho, desonesto, corrompido e condenável também pode ser aperfeiçoado.

Desde que Suas Excelencias parem de se enxergar como divindades incorruptíveis e intocáveis, e se deixem também punir e evoluir.

Até por que o exemplo vem de cima!

TST fraude justiça CNJ MINISTRO SENTENÇA Flávio Dino Denuncias Banco Master Nietzsche Daniel vorcaro Luiz phellipe vieira Moralização

Leia também