Rachel Sheherazade

Não há direito escrito em pedra

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Rachel Sheherazade Publicado em 29/06/2026, às 13h34

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Direitos não são conquistas definitivas. São marcos que precisam ser constantemente vigiados e defendidos.

A história mostra que a obtenção de um direito não garante sua permanência no tempo.

Liberdades conquistadas ao longo de décadas podem desaparecer, da noite para o dia, na ponta de um fuzil ou de uma caneta, quando a democracia é enfraquecida ou quando teocracias (governos regidos por religiões) e outros regimes autoritários chegam ao poder.

O acesso ao estudo, o voto, a autonomia sobre o próprio corpo, as escolhas reprodutivas e a participação plena na vida pública
são direitos que foram construídas por gerações de pessoas que enfrentaram preconceitos, violência, perseguições e morte para conquista-los .

O Afeganistão é um exemplo que precisa ser sempre lembrado.

Na década de 1970, o governo socialista atraves do Partido Democrático do Povo chegou ao poder e promoveu leis que fortaleceram a igualdade de gênero, proibiram práticas tradicionais opressivas e ampliaram o acesso à educação para meninas e mulheres.

Anos depois, com a ascensão de grupos religiosos fundamentalistas ao poder, grande parte dessas conquistas foi revertida, como se o tempo tivesse retrocedido e, com ele, todas as conquistas civilizatórias. 

A principal lição dessa história é simples: nenhum direito é escrito em pedra, ou seja, nenhum direito é garantido para sempre.

Basta um golpe de Estado, a ascensão de uma religião ao poder ou sucessivos retrocessos legislativos para que leis sejam revogadas, e liberdades, arduamente conquistadas, simplesmente desapareçam.

Por isso, o voto importa. Ele ajuda a definir os rumos de um país, a preservação das instituições democráticas e o destino dos direitos fundamentais tanto de homens quanto de mulheres. 

Para que os direitos femininos não sejam atacados é preciso que as mulheres brasileiras informem- se: não nos grupos de WhatsApp nem nas pregações das igrejas comprometidas com interesses políticos. 
Para preservar nosso direito de ser e existir é preciso que se vote com consciência. 
A história tem sido dura conosco, mas ela nos ensina que o futuro das liberdades também depende das escolhas que a gente faz nas urnas hoje.

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