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Mulheres no limite: o cansaço que virou assunto no Brasil

- Imagem: Reprodução/Freepik

Ap. Queila C Martines Publicado em 06/05/2026, às 09h14

Há um cansaço que não aparece no rosto. Não está nos olhos, porque ela aprendeu, faz tempo, a sorrir mesmo quando já não tem mais de onde tirar forças.

Esse cansaço não nasce de um único problema. Ele se acumula em silêncio, entrega por entrega, nos pequenos excessos do dia a dia: na reunião que ela puxou, na crise que ela conteve, no filho que ela amparou, no marido que ela ouviu, na amiga que ela aconselhou. E, em nenhum momento, alguém perguntou: e você, como está?

Ela acorda antes de todo mundo. Resolve o que ninguém vai notar. Sustenta o que ninguém vê. E, ainda assim, segue sorrindo, porque foi ensinada que dar conta é virtude, que suportar é força e que pedir pausa é fraqueza.

Por fora, parece inabalável. Por dentro, carrega um desgaste que vai muito além do corpo. É um desgaste de alma.

E o que mais dói é que ela mesma hesita em nomear o que sente. Afinal, tem tanta gente em situação pior. Afinal, ela tem tanto pelo que ser grata. Então engole. Respira fundo. E continua.

Mas esse esgotamento não é fraqueza — é o retrato honesto de uma vida inteira vivida em estado de alerta. Sempre disponível, sempre responsável, sempre presente para todos. Menos para ela mesma.

O que poucos percebem é que esse colapso não começa no corpo. Começa muito antes, num lugar mais silencioso: na alma que foi sendo esvaziada aos poucos, sorriso por sorriso, até que um dia ela olha para o espelho e não se reconhece mais.

É justamente nesse lugar que a cura também precisa começar.

Se algo nessas palavras te tocou, se você leu e sentiu que estava sendo vista, talvez essa não seja apenas uma leitura. Talvez seja um recado.

Na próxima semana, a gente continua essa conversa.

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