Douglas Garcia critica protesto estudantil realizado na Praça da República, condena a agressão contra o vereador Rubinho Nunes e afirma que movimentos universitários foram capturados por pautas ideológicas e práticas autoritárias.
Douglas Garcia Publicado em 12/05/2026, às 17h49
O que aconteceu na Praça da República, no centro de São Paulo, nesta segunda-feira, não foi um simples protesto estudantil. Foi mais uma demonstração clara de como parte da militância universitária brasileira abandonou completamente qualquer compromisso com debate, democracia ou produção de conhecimento para se transformar em um movimento agressivo, intolerante e ideológico.
O vereador Rubinho Nunes foi agredido durante uma manifestação organizada por estudantes ligados a movimentos de greve e pautas identitárias. O ato defendia permanência estudantil, apoio a paralisações de funcionários e aumento de investimentos na educação pública. Até aí, dentro do jogo democrático, qualquer grupo tem direito de se manifestar.
O problema começa quando o discurso deixa de ser reivindicação e passa a ser intimidação. Rubinho Nunes foi até o local exercendo exatamente aquilo para o qual foi eleito: fiscalizar, questionar e representar parte da população da cidade de São Paulo. Um vereador tem legitimidade total para acompanhar manifestações que impactam diretamente a capital paulista.
A resposta da militância foi a violência.
Imagens e relatos mostram dezenas de pessoas avançando contra um parlamentar de maneira covarde. Isso revela muito sobre o estado atual desses movimentos. Quem não aceita ser questionado não quer diálogo. Quer imposição.
Existe ainda outro ponto que precisa ser dito sem medo. As universidades estaduais paulistas já possuem alguns dos maiores orçamentos do país. Apenas a USP movimenta bilhões de reais por ano. Esse dinheiro sai do bolso do trabalhador brasileiro, inclusive daquele cidadão que acorda de madrugada, pega transporte lotado e muitas vezes sequer conseguiu entrar em uma universidade pública.
Enquanto isso, uma parcela da militância universitária utiliza esse ambiente não para estudar, pesquisar ou produzir inovação, mas para transformar campus em centros permanentes de ativismo político.
Greves estudantis são frequentemente decididas por pequenos grupos organizados, sem participação efetiva de todo o corpo acadêmico. Muitos alunos que querem apenas assistir aula acabam sendo prejudicados por decisões tomadas de maneira autoritária por minorias barulhentas.
Além disso, impressiona como pautas identitárias acabam ocupando o centro de praticamente todas essas mobilizações. Racismo, machismo, linguagem neutra, disputas ideológicas e militância partidária passam a dominar o ambiente universitário enquanto questões concretas sobre qualidade de ensino, pesquisa, empregabilidade e inovação ficam em segundo plano.
Universidade existe para formar profissionais, gerar conhecimento e desenvolver o país. Não para servir de aparelho político.
A agressão contra Rubinho Nunes é simbólica justamente porque mostra até onde vai a intolerância desses grupos quando alguém ousa confrontar suas narrativas. A democracia exige debate. Exige contraditório. Exige convivência com opiniões diferentes.
Quem responde questionamento com violência não está defendendo democracia. Está atacando ela.
Fica aqui minha solidariedade ao vereador Rubinho Nunes e meu repúdio absoluto aos responsáveis pelas agressões ocorridas na Praça da República.
Para muitos desses grupos, o discurso da tolerância só vale quando todos concordam com eles.