Rachel Sheherazade

Ideologia não põe mesa nem paga boleto

Precarização do trabalho, o avanço de pautas no Congresso contra direitos trabalhistas e a divisão ideológica da população diante das desigualdades sociais e econômicas.

- Imagem: Reprodução

Rachel Sheherazade Publicado em 20/05/2026, às 18h20

Enfim, o povo descobriu que não trabalha pra viver: vive pra trabalhar.

Se nas usinas de açúcar, nas minas de ouro, ou nas plantações de café, os escravos trabalhavam até a morte em troca de abrigo e alimento, hoje, um assalariado labuta o mês inteiro só para pagar o aluguel e o alimento pra ficar de pé.

É o mínimo do mínimo: só para se levantar vivo no outro dia, pegar o ônibus lotado de todo dia, vender sua força de trabalho por uns poucos trocados, e continuar enriquecendo os verdadeiros vagabundos deste país: herdeiros, banqueiros, a nata do funcionalismo, os políticos calhordas aduladores de bilionários, que, no fundo, são quem realmente manda no país.

São eles, os bilionários, que estão por trás da grande mídia, tentando demonizar os trabalhadores, suas lutas e seus direitos.

São eles que compram sentenças para não responder por seus crimes e suas responsabilidades trabalhistas.

São eles que financiam grupos políticos, que, por sua vez, militam em nome dos interesses dos mais ricos.

E é isso o que está acontecendo no Congresso neste momento.

Essa é a legislatura mais indigna da história da nossa democracia.

Um bando de ratazanas dispostas a sabotar todo e qualquer direito que o trabalhador tenha ou esteja lutando para ter.

É o caso do projeto que pede o fim da escala 6 por 1.

É uma pauta justa, decente, urgente!

É uma pauta, primeiramente, que diz respeito à família.

Por que filho não se cria só e educação não acontece por osmose.

Filhos precisam da presença dos pais, para educá-los, orientá-los, protegê-los…

Isso é amor, e amor exige tempo, e sem tempo de dedicação e amor, não há família possível.

A redução da jornada é, também, uma questão de saúde.

Por que, sobrecarregados, os trabalhadores estão adoecendo física e mentalmente.

E você sabe como é empresa: se o funcionário “deu defeito”, é chutado para fora, muitas vezes sem reparação, sem direito nenhum.

Reduzir a escala de trabalho é, ainda, garantir o direito de viver.

Por que a vida está além das fábricas, das oficinas, das usinas, das redações, dos escritórios…

Viver não é só trabalhar!

O nosso valor não está no quanto a gente produz para enriquecer bilionário, mas no quanto de vida, de alegria, de riso, de realização, de satisfação a gente é capaz de tirar da vida.

Mas, essa gente perversa e gananciosa quer que o trabalhador morra trabalhando sem nunca ter vivido.

E agora, eles querem abrir uma brecha na lei para que os patrões aumentem a carga horária do empregado para até 52 horas!

A nova proposta apresentada pela direita e extrema direita permite, também, que acordos celebrados entre patrões e empregados, mesmo aqueles que infringem as leis trabalhistas, sejam legalizados.

Os parlamentares pelegos de bilionários também querem empurrar a redução da escala 6 por 1 por dez anos!

Ora, o povo não aguenta mais nem um mês, que dirá dez anos de trabalho escravo!!!

O pior é que, enquanto esses parlamentares tramam contra os interesses do trabalhador, protegendo os privilégios dos bilionários, o povo tá aí, dividido, bajulando patrão, idolatrando político, defendendo ideologias baratas, e até mesmo atacando pessoas e projetos que realmente beneficiam ou querem beneficiar quem trabalha.

Acordem, cidadãos!

Independente de sermos MEI, PJ, CLT, profissionais liberais, pequenos e médios empresários, somos todos trabalhadores.

O que nos diferencia é a natureza da nossa função e a nossa renda.

No mais, nós somos iguais, nossos interesses são os mesmos.

Eu sei que é difícil, mas a maioria dos trabalhadores, principalmente os da classe média, precisa de um “chá de revelação”, para descobrir que não é, e muito, muito, muito provavelmente não será um bilionário.

A classe média pode até comprar um carro de luxo em 208 parcelas, pode deixar um rim numa viagem à Paris, pode se fantasiar de rico, vestindo roupas de grife, mas, ao bilionário, ela não engana.

Mesmo com trejeitos de rico, ela continua sendo classe média, ou seja, classe trabalhadora.

Então, para de defender quem te oprime em nome de uma ideologia que te cega, te emburrece, te prejudica e nos prejudica!

Ideologia não põe mesa, nem paga teus boletos.

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