Explorando as causas do cansaço moderno e a pressão das redes sociais em nossas vidas
Lele Abdala Publicado em 01/09/2025, às 10h04
Nunca se falou tanto em produtividade e nunca estivemos tão cansados. Temos mais tecnologia, mais conforto, mais atalhos do que qualquer geração anterior. E, ainda assim, vivemos exaustos. Não é só físico. É um cansaço existencial. Uma fadiga que não passa com oito horas de sono. É a sensação de carregar um peso invisível todos os dias.
A rotina moderna nos treinou a correr. Corremos para alcançar metas, prazos, status, padrões. Corremos sem saber para onde. E o corpo cobra. A mente cobra. A alma grita. Mas, em vez de ouvir, tomamos mais café, abrimos mais abas no navegador e seguimos. Até que não dá mais.
Carl Jung dizia: “Apressa-te lentamente.” Mas vivemos exatamente o contrário: devoramos os dias e somos devorados por eles. Não paramos para sentir. E quando sentimos, chamamos de fraqueza. Transformamos o descanso em culpa. Como se parar fosse sinônimo de preguiça. Como se cuidar de si fosse luxo.
Esse cansaço coletivo não vem só da correria. Vem também do excesso de exigências internas. Vivemos comparando nossa vida com a dos outros. As redes sociais alimentam a ideia de que deveríamos estar sempre felizes, produtivos e em forma. Mas ninguém mostra o preço disso: a ansiedade generalizada, a depressão crescente, o vazio disfarçado de sorriso.
A polêmica é essa: o cansaço que carregamos não é normal. É sintoma de uma cultura doente. Uma cultura que valoriza mais o ter do que o ser, mais o parecer do que o sentir. Uma cultura que transforma pessoas em máquinas de entrega.
E quando tentamos buscar sentido, ouvimos frases prontas como: “é só pensar positivo” ou “trabalhe enquanto eles dormem”. Mas pensar positivo não cura burnout. Trabalhar sem parar não dá sentido à vida. Precisamos de algo mais profundo: reconexão.
O verdadeiro antídoto contra esse cansaço não é dormir mais, mas viver de forma diferente. É se perguntar: “O que realmente me nutre?”. Talvez seja passar tempo com quem você ama. Talvez seja caminhar sem pressa. Talvez seja finalmente dizer “não” ao que te suga.
Não existe fórmula mágica, mas existe escolha. E, muitas vezes, o primeiro passo é parar de fingir que dar conta de tudo é uma medalha de honra.
🌿 Reflexão para hoje:
“Não preciso provar meu valor pelo quanto me esgoto. O descanso é um direito, não uma falha.”
💬 Agora é com você:
De onde vem o seu cansaço? Do corpo que precisa dormir… ou da vida que não faz mais sentido?
Responder essa pergunta pode ser o início da sua verdadeira liberdade.
Nos vemos na próxima coluna.
Com presença e verdade,
Lele Abdala