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Cultura

1ª indígena eleita para o Congresso passou por incômodo no inicio do mandato

Redação

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1ª indígena eleita para o Congresso passou por incômodo no inicio do mandato

Na Câmara, Joênia Wapichana costuma abrir discursos em língua tradicional. ‘Valores indígenas conduzem meu trabalho como parlamentar’, afirma.

G1

“Kaimen!” – é com esse “bom dia” na língua do povo Wapichana que a deputada federal Joênia Batista (Rede) costuma abrir os discursos no plenário da Câmara. Eleita em 2018 por Roraima com 8,4 mil votos, a parlamentar se tornou a primeira indígena a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional.

Orgulhosa com a conquista, ela reconhece que nem sempre é fácil ser diferente em meio a 513 parlamentares, em sua maioria homens, brancos e que usam terno e gravata. A deputada afirma que foi barrada duas vezes na portaria da Casa.

“No primeiro dia, checaram duas vezes se eu era deputada ou não, mas agora o brochinho [parlamentar] facilita várias situações.”

Aos 46 anos, a parlamentar coleciona feitos inéditos no currículo. Advogada, Joênia Wapichana é considerada a primeira indígena a se formar em direito no Brasil, em 1997, pela Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Ela também se tornou mestre pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e, no ano passado, foi premiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) pela atuação na área de direitos humanos. O prêmio já foi entregue a personalidades como Nelson Mandela e Martin Luther King.

Mulheres na política

Para Joênia, a entrada na política foi “por necessidade dos povos indígenas” e não somente por escolha. Este ano, a eleição da parlamentar contribuiu para a bancada feminina na Câmara de Deputados alcançar 77 cadeiras. O número de deputadas corresponde a 15% da composição da Casa.
Para a deputada que assumiu o primeiro mandato, o ar de novidade na capital do país trará desafios que, segundo conta, serão superados “com a experiência de sempre ouvir os mais velhos e ser diplomata”.
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