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Das trocas de técnicos à saída de “guru” alemão: como o Bragantino reagiu no Brasileirão

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Das trocas de técnicos à saída de "guru" alemão: como o Bragantino reagiu no Brasileirão

Quando marcou o quarto gol do Red Bull Bragantino na goleada sobre o São Paulo, no meio da semana passada, o atacante Artur comemorou com socos no gramado do estádio Nabi Abi Chedid.

Principal contratação do time para a temporada, sob o preço de R$ 25 milhões, o ex-jogador do Palmeiras só conseguiu fazer seu primeiro gol na 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O desabafo de Artur era o de um time inteiro, um projeto que levou tempo demais para justificar o alto investimento, mas finalmente parece começar a decolar.

A temporada 2020 é a primeira do Bragantino na elite do futebol brasileiro desde a injeção de dinheiro da Red Bull. O Guia do Brasileirão, publicado pelo ge antes do Brasileirão, estimava que o elenco, turbinado por um investimento de R$ 80 milhões, seria suficiente para garantir ao time o décimo lugar na Série A. Em meio a trocas de técnicos e ao desempenho irregular dos reforços, o time esteve quase sempre bem abaixo dessa expectativa.

Nada que tire o sono dos investidores austríacos, como afirmou nesta semana Thiago Scuro, presidente do Red Bull Bragantino, numa entrevista ao ge por telefone. O plano de três anos continua sendo ficar na Série A em 2020, brigar entre os oito primeiros em 2021 e só então em 2022 de fato disputar título.

– O principal objetivo do ano é a permanência na Série A. Fizemos um investimento significativo em jogadores mais jovens e por isso é natural que leve mais tempo até atingirmos resultado – afirmou Scuro.

Na avaliação do executivo, a pandemia do coronavírus, que interrompeu as competições por quatro meses, teve grande impacto no desempenho oscilante do time nesta temporada.

– O coletivo vinha bem, o último jogo antes da pausa foi uma vitória consistente por 4 a 0 sobre o Água Santa. Mas por termos um elenco predominantemente jovem, existe todo um reflexo no aspecto familiar. Muitos são solteiros ou recém-casados, o atleta não está acostumado a passar tempo tempo em casa. A retomada do aspecto emocional foi bem complexa.

O ano também foi marcado pela troca de treinadores – um cenário típico da “velha política” do futebol brasileiro. Nos últimos dias de 2019, após conduzir o time ao título da Série B, Antonio Carlos Zago inesperadamente trocou o Bragantino pelo Kashima Antlers, do Japão.

O plano A era o português Carlos Carvalhal, negócio que não se concretizou. O escolhido então foi Felipe Conceição, que chegou já com o Campeonato Paulista em andamento.

Felipe Conceição durante passagem pelo Bragantino — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Felipe Conceição durante passagem pelo Bragantino — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Ex-técnico do América-MG, Conceição tinha o perfil que parecia casar com o do novo clube: jovem (41 anos) e com uma ideia de jogo arrojada. Sua passagem por Bragança Paulista durou apenas 18 partidas.

O time fez a melhor campanha da fase de grupos do Campeonato Paulista, mas foi eliminado pelo Corinthians nas quartas de final. Um fraco início no Brasileirão e desentendimentos com jogadores e diretoria resultaram na interrupção do trabalho.

Em entrevista ao blog do jornalista Alexandre Lozetti, Conceição afirmou que “perdeu respaldo de cima”, em referência à saída do chefe de esporte e desenvolvimento da Red Bull, o alemão Ralf Rangnick, que também era consultor de futebol do Bragantino, anunciada em 31 de julho do ano passado. Exatamente um mês depois, Felipe Conceição foi demitido.

– Eu senti que o caminho não era mais aquele de ter uma equipe jovem, reformular, não tinha mais o amparo para fazer alguns movimentos que um treinador precisa para implementar uma filosofia. Aí, foi questão de ter dois ou três resultados negativos para tomarem a decisão – declarou o hoje técnico do Guarani, duas semanas de ter sido demitido.

Felipe Conceição conversa com o elenco do Bragantino — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Felipe Conceição conversa com o elenco do Bragantino — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Segundo o ge apurou, o principal problema de Conceição no comando do Bragantino foi o gerenciamento do grupo. O caso mais notório envolveu o meia Claudinho, principal jogador do time na Série B em 2019.

O técnico o tirou do time e testou vários jogadores na posição – chegou até a improvisar o lateral-direito Weverson. Como nenhuma das alternativas funcionou, as críticas por não aproveitar Claudinho só aumentaram.

Thiago Scuro afirmou que a decisão de demitir Felipe Conceição foi exclusivamente dele, e que não houve mudança de perfil no projeto de futebol do clube após a saída de Ralf Rangnick.

– No dia a dia, nós começamos a detectar algumas questões de liderança, gestão. Nesse sentido começou a existir um descolamento de ideias, das minhas com o Felipe, dele com o elenco. Chegamos a um ponto de total falta de harmonia entre essas três pontas, diretoria, comissão técnica e elenco. A demissão foi o caminho que achei correto.

Bragantino comemora gol contra o Botafogo pelo Brasileirão — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Bragantino comemora gol contra o Botafogo pelo Brasileirão — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

O executivo sabe que existe “um prejuízo institucional e financeiro” ao substituir um técnico no meio da temporada, especialmente porque aproxima das velhas práticas do futebol brasileiro um projeto que se apresenta como tão diferente.

– Não acredito nesse processo de substituição constante, mas a gente está no dia e viu que precisava mudar o rumo. Tínhamos a crença de que conseguiríamos continuar [com Felipe Conceição], mas não deu.

Scuro afirma ainda que não houve nenhuma interferência de Marquinho Chedid, presidente de honra do Bragantino e cartola influente durante décadas no futebol paulista, na troca de comando técnico do time.

– É nosso presidente de honra, muito participativo em relação a Federação Paulista e CBF. Tudo o que combinamos no começo da parceria está sendo cumprido. A decisão sobre o Felipe foi exclusivamente minha, não tem nenhuma participação do Marco Chedid.

Thiago Scuro e Marcos Chedid na apresentação da parceria — Foto: Maurício Oliveira

Thiago Scuro e Marcos Chedid na apresentação da parceria — Foto: Maurício Oliveira

A aposta foi por um treinador ainda mais jovem – Mauricio Barbieri tem 39 anos – mas com uma longa passagem pelo próprio Red Bull, entre 2013 e 2016, antes de a multinacional de energéticos ter comprado o Bragantino.

O ex-técnico de Flamengo e Goiás tirou o time da zona de rebaixamento e o aproximou de uma vaga na Copa Sul-Americana. O Bragantino entra em campo nesta segunda-feira na 13ª posição – enfrenta o Atlético-MG, às 20h, em casa.

Reforços não explodiram

 

Além das trocas de técnicos, o Red Bull Bragantino sofreu com a inconstância de suas principais apostas para 2020 em campo. O atacante Artur foi eleito o melhor jogador do Campeonato Paulista, mas demorou a engrenar no Brasileiro.

O goleiro Cleiton, segunda contratação mais cara (R$ 23 milhões), chegou a perder a posição para o veterano Julio Cesar em vários momentos.

Alerrandro, comprado do Atlético-MG, fez um estadual apagado, depois arrancou bem no Brasileiro (com cinco gols) e teve a boa fase interrompida por uma lesão. Hoje, disputa posição com Ytalo.

Thonny Anderson, adquirido do Grêmio, também ainda não emplacou por causa de lesões. Matheus Jesus, ex-Corinthians, começou bem o Paulista, mas depois da parada da pandemia, não voltou o mesmo. Perdeu espaço e quase foi devolvido.

O principal destaque do time na Série A é o mesmo que brilhou na Série B: o meia-atacante Claudinho. Depois do período no banco de reservas, o jogador recuperou o bom futebol que teve em 2019 e lidera a artilharia da equipe no Brasileirão, com 11 gols, cinco abaixo de Thiago Galhardo, do Inter.

Claudinho comemora gol do Bragantino; meia-atacante é o artilheiro do time no Brasileirão — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Claudinho comemora gol do Bragantino; meia-atacante é o artilheiro do time no Brasileirão — Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

A confirmação da permanência na Série A de 2021 é o que falta para o Red Bull Bragantino voltar ao mercado. A temporada acidentada não vai mudar o perfil de contratações, garante Scuro.

– É parte do DNA da empresa, em tudo o que faz no esporte, não apenas no futebol. Queremos jovens, com mentalidade aberta, e isso não vai mudar.

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GE – Globo Esporte.

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